O início da primavera pode ter trazido flores, cores e mais sol, mas que só podem ser vistos e sentidos pela janela, à distância imposta pela COVID-19 que continua a fazer parte da ordem do dia. Ainda que as restrições à circulação e a obrigação de isolamento social possam ser levantadas antes do verão, as autarquias de Lisboa e do Porto já confirmaram o cancelamento das tradicionais marchas, arraiais e casamentos – não há festas populares em nenhuma das cidades.

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Na capital, a Câmara Municipal informa que devido às características das Festas de Lisboa, que implicam uma “elevada concentração de pessoas” nas ruas, “é incompatível com a sua realização mesmo num cenário de achatamento da curva de contágio e da diminuição do número de infetados”. Assim, e pela primeira vez em 32 anos, este ano não haverá cheiro a sardinhas assadas nos bairros típicos, nem espaço às tradicionais Marchas de Lisboa que enfeitam e alegram a Avenida da Liberdade. O mesmo acontecerá com os Casamentos de Santo António, que também não se realizarão.

Recorde-se que o tema para as celebrações de 2020 era dedicado a Amália Rodrigues e servia como centro para toda a criação artística em torno das festas. No entanto, para que o trabalho já realizado não seja perdido, o município informa que o mote passará para 2021.

Porto sem martelinhos

“O potencial de risco para a saúde pública”, diz a autarquia liderada por Rui Moreira, justifica que se evite a circulação de “milhares de pessoas nas ruas da cidade”, levando a um inevitável cancelamento da Festa de São João. O presidente reconhece que é “uma medida que deixa os portuenses e todos os amantes desta grande festa certamente tristes”, mas que é a decisão mais acertada tendo em conta a situação epidemiológica do país.

O município informa ainda que todas as verbas que estavam destinadas à promoção de concertos e programação das festas populares será aplicada no “esforço nas diversas ações de combate ao atual cenário de pandemia”.