“Há 11 anos em Lisboa, esta é a primeira vez que fechamos as portas em vez de as abrir…”, disse Ljubomir Stanisic num comunicado enviado às redações e publicado na sua página oficial de Facebook ao final desta manhã. O chef continua dizendo que “é uma decisão difícil mas inequívoca: não podemos, em boa consciência, continuar abertos”. Assim, e com efeitos a partir de domingo, dia 15, os restaurantes de Ljubomir 100 Maneiras e Bistro 100 Maneiras encerram as portas devido ao surto de COVID-19.

PUB.

A medida agora adotada pelo protagonista de Pesadelo na Cozinha não se deve a restrições impostas pelo Governo, que permite que os estabelecimentos se mantenham abertos mas com lotação reduzida, mas antes para “proteger as famílias – as nossas, as da nossa equipa, as dos nossos clientes – e o mundo”, esclarece. O chef realça ainda que o fecho de portas implicará, inevitavelmente, um “golpe financeiro” nas contas dos restaurantes e lembra as responsabilidades com “as mais de 80 famílias que dependem do 100 Maneiras”, aludindo às dezenas de funcionários que emprega.

Ainda sobre a preocupação com os seus colaboradores, Ljubomir diz que “foi às nossas equipas que cedemos todos os produtos alimentares que não são passíveis de armazenamento”, de forma a que não tenham a preocupação de ir aos supermercados e lidar com o “açambarcamento” de produtos que se tem verificado na última semana.

COMUNICADOApesar de, no momento em que tomamos esta decisão, não haver nenhuma indicação do Governo para o…

Publicado por Ljubomir Stanisic em Sábado, 14 de março de 2020

O apelo que se tem replicado pelas redes sociais #StayTheFuckHome para que as pessoas se mantenham em casa e evitem deslocações desnecessárias foi repetido pelo chef Ljubomir como resposta ao surto de COVID-19.

Para ajudar os restaurantes de Ljubomir – que como outros, incluindo o chef Alexandre Silva -, o líder do 100 Maneiras lembra que “os nossos vouchers continuarão disponíveis para compra, via telefone, e-mail ou online”, oferecendo um crédito extra de 15% sobre o valor registado, de forma a que possam ser utilizados quando tudo voltar ao normal. É uma forma que vários espaços gastronómicos têm adotado no sentido de evitar quebras totais de receitas, uma ajuda que consideram essencial a um setor em amplo sofrimento.

Recorde-se que, de acordo com dados do setor da hotelaria e restauração, estão previstos prejuízos para restaurantes e hotéis na ordem dos 800 milhões de euros devido ao surto de COVID-19.

O anúncio surge numa altura em que também outros chefs, como Vítor Sobral e José Avillez, decidiram encerrar os seus restaurantes para evitar o contágio e manter o público e as suas equipas em segurança.